sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vem com manual de instruções?

100% boliviana

Seguindo o movimento THE BUCKET IS GONE, nesta quinta-feira resolvi transferir o escritório para a sala 4 do Unibanco Arteplex para acompanhar a nova aventura de um dos meus personagens favoritos desde a infância, 007. Quantum of Solace (sem tradução para o português... ooou Andando de Quantum no Solááááço) apresenta mais uma boa performance de Daniel Craig no papel do agente-garanhão do serviço de inteligência britânica, o que me leva a crer fortemente que ele se sai melhor no papel do que seu antecessor, Pierce Brosnan, que na minha opinião era apenas um rosto (metido a) bonito, mas que não impunha respeito nem metia medo.

O filme tem todos aqueles ingredientes indispensáveis para um bom roteiro de James Bond: perseguições automobilísticas impensáveis, brigas com quedas de prédios de 14 andares sem que o mocinho se machuque, trocas de tiro do estilo corpo fechado e, claro, um clima de romance, porque afinal, o cara é garanhão, pegador e coisa e tal (apesar, se comparado aos outros filmes da série, nem dá pra considerar que há romance nesse episódio).


Gastando muito com lavanderia

Fato é que, por ser uma autêntica seqüência da película anterior, Casino Royale, o lado humano de Bond continua sendo explorado. Ele remói-se por causa de seus erros, principalmente por ter confiado em Vesper, a qual o traiu por “motivos de força maior” e morreu em seus braços. A morte dela alimenta um sentimento de vingança que o cega e faz com que ele cometa homéricas cagadas, descumpra ordens superiores e aja de maneira muito mais instintiva e emotiva durante sua missão.

Contudo, as organizações, ao menos pra mim, são tão complexas que me deixam confuso durante TODO o filme. Com freqüência me pego pensando, em meio aos tiroteios: “mas esse cara não era do bem? Por que eles tão se matando agora???”. Agentes duplos, traições, bond girls e outras girls quaisquer com atitudes e interesses estranhos... sei lá, não sei se sou burro, mas é TOO MUCH pra minha cabecinha.

Isso é aplicável para TODOS os filmes do 007.

Por isso, um filme de James Bond só fica completo após dar uma lida no roteiro do filme no IMDB ou Wikipédia. “Ah, é por isso que ele salvou o Bond aquela hora!”. “Daí que surgiu aquele cara...”. “Sabia que já tinha visto ele em algum lugar!”. Tudo simplesmente se encaixa e faz sentido.

[Fantástica também a referência feita no filme que chama os governos sul-americanos são chamados de corruptos. Sad, but true.]

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Regras para convivência na academia

Há longínquos 9 meses atrás, mais ou menos na mesma época que iniciava esse blog, passei a me dedicar a outra vontade pessoal que possuía. A idade chegando [vovô], o metabolismo não é mais o mesmo e a vida sedentária começava a apresentar seus sinais. Diante disso, resolvi dedicar uma mísera horinha do meu dia à academia.

Essa foi minha quinta tentativa e, desde já, a mais bem-sucedida. As melhoras foram sentidas não apenas não campo EMBELEZÍSTICO, mas principalmente na saúde, na disposição e no estado de espírito. Passei um inverno sem resfriado e deixar de ajudar a defesa nos jogos de domingo deixou de ser uma questão de falta de pernas. Agora é preguiça pura, mesmo.

Nunca havia passado de três meses de atividades nas tentativas anteriores, sempre resultado de professores desinteressados, invernos rigorosos ou – a mais séria das causas – a falta de noção dos demais “atletas”. Mas enfim, finalmente encontrei um estabelecimento que reúne as condições mínimas e satisfatórias para a realização das atividades físicas do dia-a-dia.

Vejam bem: MÍNIMAS e SATISFATÓRIAS, porque os sem-noção estão por todo lado.

Tiazona que recém entrou na academia: em dois dias os exercícios ainda não fizeram resultado. Por favor, cubra seu abdômen e pare de se comparar com as menininhas.

Senhor marombadão: soltar gemidos e grunhidos só chamarão a atenção de maneira NEGATIVA. Sim, ao contrário do você pensa. Também, favor ler com atenção os avisos de cuidado ao soltar os pesos no chão e nas máquinas. Ou peça para alguém explicar, caso a compreensão esteja muito complicada.

Magrinho que começou ontem: de novo, os resultados não aparecem assim, da noite pro dia. Pare de se espremer em frente ao espelho com aquela cara de “uh, gostosão”. É PATÉTICO.

Menininha gostosinha da academia: pare de MIAR.

Professores e demais freqüentadores: favor dedicar máxima atenção ao propósito da coisa toda: os exercícios. No mundo existem mais coisas além de futebol e das guriazinhas que por lá passam. E, o mais importante, por mais que vocês digam o contrário, caso a gostosa da academia seja encontrada solita na noite, NINGUÉM VAI FAZER NADA.

Ok? Ok.

[Atentem: Segundo post enviado direto do escritório, onde, por sinal, nesse momento uma pessoa passa seu tempo com aqueles joguinhos de guerra em primeira pessoa. THE BUCKET IS GONE]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Esse estranho elemento ao oeste

Depois de dois meses freqüentando diariamente a municipalidade de Triunfo, retorno para Porto Alegre no dia de hoje. Coincidência ou não, o sol marca forte presença, tornando o cenário visto das janelas do escritório ainda mais impressionante. Para um lado, o parque Marinha, o Beira-Rio, no fundo o museu do Iberê. Para o outro lado, o parque da Harmonia e o Gasômetro. Impossível não pensar por que a cidade virou as costas para o rio.

Logo hoje que vim para cá, inaugura-se o Barra Shopping Sul (aliás... pior nome. Por que não mantiveram a idéia inicial, de Cristal Shopping? Muito mais “identificável”. Paciência). Não tive a oportunidade de por lá passar, mas pelo que vi nos jornais, finalmente deram um jeito naquela vergonhosa Diário de Notícias, uma faixa de asfalto podre que costeava o rio.

Além disso, me deparei com as novidades patrocinadas pela Pepsi na orla, no trecho entre o Gasômetro e a Ipiranga. Pode ser muito pouco colocar umas quadras, pintar os meios-fios e os postes, mas convenhamos, ao menos é alguma coisa.

E por fim, avisto o famigerado Pontal do Estaleiro. Minha intenção não discutir o tal projeto apresentado e aprovado – sabe-se lá por quais maneiras – na Câmara de Vereadores. Porém, a atenção provocada por esse assunto para aquele pequeno pedaço de terra enfiado dentro do Guaíba parece que reacendeu uma discussão muito maior entre os cidadãos que aqui vivem.

Será que não é possível aproveitarmos melhor a nossa orla? O que falta para isso acontecer? O nosso povo, tão POLITIZADO e BRIGADOR, vai ficar esperando até quando para ter espaços de lazer decentes nessa cidade?

Espero que seja antes do que eu estou pensando.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Passatempo

A história que eu vou contar agora está acontecendo NESSE EXATO MOMENTO.

Há um ano atrás eu era feliz. Tinha um emprego bom, trabalhava com algo que eu gostava. Ok, não era o emprego dos sonhos, mas o suficiente para me tirar da cama todos os dias da manhã sem maiores queixas. Eis que então, nesse mundo corporativo e capitalista, a empresa onde eu trabalhava foi adquirida por outra, maior. Diante do clima que tomou conta da companhia, os compradores aterrissaram com um discurso de crescimento e oportunidades. Me apresentaram uma: um projeto de integração das empresas. Algo tão importante que eu seria afastado das minhas atividades para dedicar-me exclusivamente a isso. Novos desafios, maior visibilidade, vamos nesse barco.

Passados alguns meses, cá encontro-me. O tal projeto, perto do seu término, já não traz demandas. A minha vaga já não existe mais, foi ocupada por outra pessoa. Eu, sem perspectiva alguma, venho todo o santo dia no escritório para fazer qualquer coisa, menos trabalhar. Mas não digo isso por falta de motivação minha. Simplesmente não há o que fazer aqui.

Não sei explicar bem quais motivos me impedem de pedir as contas. Um pouco pela esperança de que alguma coisa ainda apareça por aqui, talvez pelo medo de virar estatística de desemprego do IBGE, talvez por pura falta de coragem de romper com essa situação. O fato é que diariamente, preciso descobrir o que fazer diante de um computador durante oito horas do dia.

Se novos desafios era o que eu queria, todos os dias eu encontro um, agora. Acreditem: ficar sem ter o que fazer CANSA. Cansa muito mais do que um dia cheio de atribuições. Cansa o corpo, cansa a mente, cansa o espírito do vivente. Navegar pela internet é o que resta.

Começamos com aquelas coisas que são realmente úteis. Vamos verificar programas de cursos, pós-graduação, atividades que venham a completar o currículo. Feito isso, é hora de pensar atualizar o currículo e disseminá-lo na internet, afinal, aqui as perspectivas não são das melhores. Passamos a pesquisar outros sites, vamos ver quanto está valendo um carro, um apartamento em Petrópolis, uma câmera fotográfica nova. As opções vão se esgotando... sites de notícias, futebol, cinema, música... e hoje, na total e irrestrita falta de ter o que fazer, li alguns artigos na Wikipédia com a pretensão de adquirir conhecimento.

Tudo MUITO CHATO. Pra chutar o balde, falta só começar a jogar games online.

Ou então publicar esse post em plena quarta de tarde.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Primeira noite de Summertime

Sofrendo ainda com as mazelas de início de horário de verão (sono profundo), decidi aproveitar os benefícios desse artifício regulamentado pelo governo para economia de energia e resolvi gastá-las ainda mais nesta noite de Segunda fazendo uma das coisas que mais gosto nessa vida: caminhar. Para isso, chamei o cachorro da casa, o Gordão (que baba mas não morde), para sair pelas redondezas do bairro.

Apesar do sol já ter se escondido às 9 horas da noite, o clima agradável estava convidativo para o passeio. O pobre do bicho, que passa o dia todo enfiado em casa, quase enlouqueceu quando percebeu a movimentação para sair dela. Para mim, a companhia do cachorro possibilitaria uma caminhada noturna, ainda mais de meu gosto, com uma (talvez falsa) sensação de relativa segurança.

Alegres todos, partimos. Durante o trajeto, aproveito para colocar os pensamentos em dia. Refletir sobre a vida profissional, organizar as atividades de amanhã, lembrar daquelas coisinhas do dia-a-dia que precisamos comprar e fazer. De quebra, um exerciciozinho pra mexer um pouco com as pernas e o pulmão.

E o cão? Para ele, só uma coisa interessa: defecar e urinar em todos os locais possíveis. Todos TODOS. Sei que a zoologia tem uma explicação lógica para isso - algo a ver com demarcação de território eu acho. De qualquer forma, fiquei ali, olhando o bicho levantar a perna MIL VEZES, fora as vezes em que se enfiou no meio de arbustou porque, sim, evitar constrangimento ele sabe como fazer.

Vai entender...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Tempos modernos

Já passavam das 20 horas e eu me alongava despreocupadamente na academia. Tudo estava absolutamente normal. O instrutor fazia vista grossa para minha preguiça enquanto conversávamos sobre TODAS POSSÍVEIS possibilidades de resultados do Campeonato Brasileiro no final de semana. Na sala ao lado, algumas pessoas pedalavam embaladas por ritmos dançantes estilos anos 90 - jamais entenderei.

A normalidade foi quebrada quase quando eu partia no momento em que uma criança surge no pequeno espaço sem equipamentos, destinado exatamente para o mais matado dos exercícios. Um cotoco, ele agitava na academia mexendo em praticamente todos os equipamentos, cordas e roldanas, sem qualquer tipo de supervisão. Ele é conhecido já dos pseudo-atletas. Seus pais comparecem ao clube com freqüência e obrigam o pobre piá, que pela voz fina e maneira de se expressar, tem cerca de quatro anos, calculo eu.

Não vou nem me ater ao fato de uma criança ser obrigada a passar quase todas as noites entre uma e duas horas pulando entre cross-overs, supinos e hammer-strengths (não me perguntem ao certo que diabos são essas coisas). Aliás, provavelmente se não estivesse ali, estaria exercitando apenas seus dedos em frente a um computador. Mas a conversa não é essa.

Voltando - estava quase saindo quando as teoricas metafísicas do Grêmio no Brasileirão foram interrompidas por aquela voz fina. "O que eu tenho na mão", perguntou ele escondendo as mãos atrás do corpo. O instrutor, de bate-pronto: "um celular". Correto ele estava. Para quê diabos uma criança de QUATRO ANOS tem um telefone celular?

Não me digam que é para emergências. Nessa idade, sempre há alguém mais velho acompanhando-o. Não vai sozinho em shopping, em praça, nem do portão do colégio sozinho ele passa. Não pensem que era um celular qualquer, também. Um Samsung tinindo de novo, visor colorido, de flip, uma beleza. Seguia o piá, pulando pra lá e pra cá, com aquela coisa brilhosa na mão.

E eu, com quatros anos, nem minigame do Tetris tinha.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Verdade absoluta

NOSSA.

Tô cansado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sí Se Puede Tour 2008 // Capítulo 9: Rua sem saída

Nada melhor que sair de Bariloche e ouvir que as pistas de esqui tinham sido abertas na manhã em que partimos. Nada melhor. Mas enfim, era hora de tomar o rumo de casa. Seguimos em direção a cidade de Neuquén deixando para trás as montanhas nevadas e, mais uma vez, acompanhando o curso de um rio, desta vez o Limay. A estrada, praticamente deserta. Todos aqueles cenários que tínhamos acompanhado por quase 20 dias ficavam apenas nos retrovisores. Triste, muito triste.

Reta reta reta reeeeta. Nenhuma curva

Passamos por Neuquén buscando notícias da Eurocopa e principalmente do mui-querido Racing, tentando escapar do rebaixamento no torneio local. Após algumas estradas incertas, chegamos a localidade de Choele Choel, onde iniciamos um incrível trecho de 133km de pura reta. Tão reto que um carro com geometria perfeita poderia cruzá-la sem motorista. Tão reto que se os condutores do veículo tivessem saído na noite anterior, teriam muito sono. E se fosse à noite, pior ainda. (E não foi assim?)

-Vai uma pane seca aí? -Não, prefiro conhecer Lanús

Já passávamos de Bahia Blanca quando o receio de uma pane seca nos fez retornar 40km até um local seguro para abastecer. Não esqueçam que combustível na Argentina é algo parecido como água no Saara (Ok, exagerei. Mas é por aí). Obrigado, Otávio. Não satisfeitos com essa perda de tempo, nosso navegador achou uma boa idéia entrar em Buenos Aires por Lanús e Banfield. Sob intensa neblina e ouvindo na rádio que a temperatura baixara em Bariloche (ódio), chegamos no hotel quando amanhecia, umas duas horas depois do previsto graças aos engarrafamentos suburbanos. Obrigado, Maurício.

Paiê, falta muito?

Buenos Aires é aquela coisa. Pubzinhos, cervejinha, restaurantezinhos, noitezinha... Opa! Noitezinha não teve. Prova de que segunda-feira é igual em qualquer lugar do mundo. Porém, tudo compensado com o Kansas. Só aqui você pode estar bêbado e comendo um belo naco de carne numa segunda-feira às 4 da tarde. I love this game. Mais um dia e o trecho final. Balsa até Colônia, mais uma carnezinha em Montevideo com final do campeonato uruguaio numa quarta-feira a tarde, e dê-lhe estrada. Eram quase 1h da manhã de quinta-feira quando o trajeto todo encerrou-se.

8.095km que valeram cada centímetro. Agradeço aos meus amigos que compartilharam isso comigo. Sem dúvida, algo para nunca mais esquecer. [Ok, momento clichê, eu sei. Mas foi necessário]

Mission acomplished. De volta à vida real.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sí Se Puede Tour 2008 // Capítulo 8: Nós (e o Brasil inteiro) em BARILÓXI

Depois de mais de 10 dias viajando, vendo cenários impressionantes, porém quase sem o gostinho da vida noturna, nossa estadia em Bariloche era tida como a redenção festeira, tanto que para isso reservamos 4 dias na cidade. Logo na primeira noite, problemas: o quarto dito como triplo era, na verdade, um duplo com cama adicional. Além da distância de menos de 20cm entre uma cama e outra, o espaço era tão reduzido que as malas tiveram que ser alocadas em cima da televisão. Na manhã seguinte, nossas reclamações foram atendidas graças ao nosso amigo pseudo-portenho, com sotaque bonairense, que confundiu até o recepcionista do hotel - "Los brasileños son insoportables", disse ele, sem perceber sua origem. Ao final, trocamos para um quarto decente.

Para remover manchas de vinho, clorofila e detergente de cozinha

Logo no primeiro dia, começamos a perceber nosso maior erro de planejamento na viagem. Apesar de estarmos em pleno Junho, Bariloche recém estava prestes a iniciar sua média temporada, ou seja, a maioria das atrações turísticas estava fechada. A começar pelo Cerro Catedral, maior estação de esqui da América Latina, que não possuía a quantidade mínima de neve para abrir suas pistas. O clima, chuvoso, piorava a situação. Nos restou devorar um cordeiro patagônico, comprar umas garrafas de vinho e assistir a Eurocopa no hotel - que não ofereceu saca-rolhas. Azar o deles: a tática de empurrar a rolha fez espirrar vinho nas colchas, cortinas e até no teto.

Wilkenny: pub irlandês com funk carioca

Com o jogo entre Brasil e Argentina pelas eliminatórias, buscamos um local agradável (= sem brasileiros) para assistir ao confronto. Dureza. Local repleto de brasileiros. Sim, haviam alguns argentinos, mas eram minoria. Passada a quase derrota, as mesas foram movimentadas e inicou-se uma pachanga, porém 20min depois "um tapinha não dói" era o som que agitava o lugar. Não, eu não havia andado 6000km pra ouvir funk. Era ruim demais pra ser verdade...

Amor não correspondido

A manhã seguinte começou com uma ótima notícia: neve. Apesar disso, as pistas de esqui permaneciam fechadas. Nos restou seguir o roteiro original e conhecer as vizinhas Villa La Angostura e San Martín de Los Andes. Apesar da neve, a estrada estava aberta, sem necessidade de utilização de correntes. O cuidado redobrado não apenas pela pista escorregadia, mas também pela pouca visibilidade. Villa La Angostura é um vilarejo pequeno, distante 100km de Bariloche, sem maiores atrativos. Dali, parte um barco que cruza o Lago Nahuel Huapi até Bariloche, mas este não estava funcionando por problemas no licenciamento das empresas. Dali, mais 150km - parte em estrada de terra - até San Martín.

O rio nos guia

A estrada em péssimas condições era quase desapercebida devido a beleza da região. Contornando diversos lagos, rios e cascatas, a estrada cruza o Parque Nacional Los Arrayanes. Talvez aqui tenha sido o único trecho onde sentimos falta daquela caminhonete 4x4, tão endeusada por aventureiros. Contudo, o Civic cumpriu seu papel. San Martín fica encravado entre as montanhas, costeado pelo Lago Lacar. Uma cidadezinha com jeitinho alemão, ruas e construções simpáticas e - o mais importante - livre de brasileiros. 5km distante está o Cerro Chapelco, outra importante estação de esqui, também fechada na ocasião. O dia caía quando um erro na visualização do mapa nos faz ter que andar 250km de volta. No caminho, precipitação intensa de neve. Infelizmente, a noite não nos permitiu ver mais uma estrada fantástica que apenas as luzes do carro tentavam nos mostrar.

Photoshop? Parece mas não é

Conclusão do grupo: San Martín põe Bariloche no bolso. Aqui sim, é possível conhecer uma cidade autêntica, encantadora e com atrativos de lazer. Talvez tenhamos conhecido Bariloche numa época ruim, mas a impressão que tivemos é que a cidade é uma "Tramandaí dos Andes". Tudo muito turístico, muito forçado, nada original. Pior ainda com as pistas de esqui fechadas, o que nos obrigou a circular bastante pelo centro da cidade. Seguidamente, fomos assediados por vendedores de blusões, mantas e toucas que apenas pelo olhar identificam a procedência de todos e emendam um "português acastelhanado".

Bad Otávio

Após algumas noites de funk e reggaeton no tal Wilkenny, ouvindo muitos brasileiros elogiando Barilóxi, nossa estadia em Brasiloche chegava ao fim com um passeio ao Cerro Otto e sua confeitaria giratória, no topo da montanha, de maneira melancólica. Bariloche não foi nada do que esperávamos. Além disso, a nossa aventura se aproximava do fim. Um pit-stop em Buenos Aires e, logo, estaríamos em casa.

Um dia, tudo acaba.

domingo, 3 de agosto de 2008

Sí Se Puede Tour 2008 // Capítulo 7: Mais um dia daqueles

O dia começou cedo aquela terça-feira em Puerto Varas. Aliás, cedo demais. Quando acordamos, às 7h30, ainda era noite fechada. O Sol só deu as caras por volta das 9h. Nossa tarefa era retornar à Argentina, em direção a San Carlos de Bariloche. Não exatamente um cruze, pois Bariloche está situada na Cordilheira, numa parte mais baixa, com altitude próxima a 1500m sobre o nível do mar. O caminho mais curto é retornar direto a Osorno e seguir na direção leste. Porém, os vulcões nos chamavam do outro lado do lago Llanquihue, e resolvemos contorná-lo.

Visual bem feio: vulcão Chabulco a esquerda e lago Llanquihue

Passados 50km, chegamos na entrada do Parque Nacional Vicente Perez Rosales. Vimos a entrada e pensamos "por que não entrar?". Seguimos por aproximadamente 10km dentro da mata fechada, até em seguida o cenário mudar: subidas íngrimes e o cume do vulcão Osorno. Subindo, subindo, subindo até a base do vulcão, onde se encontra uma estação de esqui. Talvez o visual mais impressionante da viagem. Estávamos sobre as nuvens, com todo o lago Llanquihue na nossa vista. O vulcão, tão próximo. Por lá ficamos alguns minutos, fotografando o local por absolutamente todos os ângulos.

Use freio motor

Descemos de volta e seguimos por uma estrada de terra mais 25km. Alguém viu algum problema? Não. Impossível. Costeando o lago, com casinhas no pé da montanha e vacas cruzando a estrada... Ah, quer saber? Olha a foto aí embaixo.

Alpes suíços? Não, região dos lagos chilenos

Passada a estrada de terra, retornamos até a cidade de Osorno, sempre observados pelo vulcão homônimo. De lá, seguimos em direção ao Paso Cardenal Samoré, fronteira Chile-Argentina. Na cidade de Entre Lagos, tínhamos a última oportunidade de fazer uma refeição digna. Apesar de ninguém ouvir a sugestão de irmos num lugar que tivesse muitos caminhões (sinal de comida honesta), resolvemos perguntar aos habitantes qual o melhor restaurante da cidade. Fomos encaminhados a um estabelecimento localizado na beira da estrada... com muitos caminhões estacionados ao lado. Lá, gastamos nossos últimos centavos chilenos - mais pela grana estar curta do que pela necessidade de livrar-se da moeda. Agradecemos a garçonete pelo "desconto" na conta e tocamos o barco.

Big Brother

A viagem seguia monótona até entrarmos no Parque Nacional Pueyhue. Dali, iniciamos um trajeto bem diferente do primeiro cruze, onde a região árida parecia mais um deserto. Ali, uma floresta, cascatas e lagos nos acompanhavam ladeira acima, rumo a Argentina. A aduana chilena, espertamente localizada na parte baixa da floresta, uns 20km distante da fronteira, ficara para trás. De repente, estávamos de novo com neve nas laterais da estrada. Atenção redobrada, pois poderia haver gelo na pista. Paramos para fotos na fronteira. Chamando a atenção pela placa brasileira, fomos abordados por um trio de cariocas que se dirigia a Osorno para comprar eletrônicos... (que diabos?!?). Comentamos sobre nossa viagem e mostramos as fotos feitas nas horas anteriores. Fizeram cara de que nem sabiam que aquilo existia. Negócio mesmo era ir pro Chile comprar eletrônicos (???). Nos planos deles, era possível ir a Osorno, voltar e ainda ir até San Martin de Los Andes, 150km distante de Bariloche. Ainda naquele dia. Considerando que eram 17h e a fronteira fechava às 20h. E que a estrada para San Martin é de terra. Boa sorte...

Esquerda, Argentina; direita, Chile

Enquanto a tarde caía, continuávamos em nossa viagem rumo a Bariloche. Ainda teríamos que contornar o lago Nahuel Huapi por aproximadamente 100km, e assim o fizemos. Continuamos a parar para fotos enquanto ainda havia luz do dia. Quando avistamos Bariloche do outro lado do lago, a noite já tinha caído e a cidade estava iluminada. Outro dia de cenários impressionantes havia terminado.

A viagem poderia terminar aí mesmo.