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segunda-feira, 26 de maio de 2008

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tudo que sobe um dia tem que descer

Não estou aqui pra falar mal de São Paulo, nem pra reclamar do hotel que, de tão próximo que fica de Congonhas, dá a impressão que um avião irá pousar no terraço, SEMPRE. 20 andares me separam da terra firme. Fico mais perto das asas de TAMs e GOLs que cruzam os céus que do solo.

Chego na janela e olho o horizonte, repleto de prédios, antenas, coisas piscantes fixas e em movimento. Luzes luzes luzes. Barulho, nem tanto - a rua está muito distante. Então, olho pra baixo.

Muitas pessoas ficariam aterrorizadas, outras agiriam com a maior naturalidade, como se nada. Não sei porque DIABOS me dá uma vontade absurda de ATIRAR QUALQUER COISA pra baixo. QUALQUER COISA. Um cuspe (ok, desculpem), um amendoim, UMA MELANCIA. Ver o objeto viajando até estatelar-se no solo - que coisa fantástica.

Sinto isso desde que tinha 10 anos e visitava minha avó, que morava no sexto andar de um prédio em Copacabana. Atirava bolachas cream cracker lá de cima até um dia ser desmascarado por um vivente na rua. Agora, 20 andares é tentação demais. Não dá pra segurar.

A escolhida: uma tampa de garrafa, dessas PET. Coisa leve, pequena. Não machuca ninguém, não faz sujeira. Me considero praticamente um GENTLEMAN. Pois a tampa viajou, viajou... e sumiu no trajeto. Pequena demais. Aqui é alto demais.

Não teve graça...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Apertem os cintos - II

Sentei-me aqui hoje com um objetivo: escrever às maiores companhias aéreas do Brasil. Numa época de crises aéreas, milhares de reclamações, atrasos, prejuízos, enfim, CAOS total, eu queria saber que diabos é DISEMBARK. Eu explico.

Uma das coisas mais divertidas de voar é ouvir as informações dadas pelos comissários em inglês. Antigamente, acho que a seleção para aeromoço (a) era bem mais criteriosa. Não falo apenas da "boniteza" dos funcionários - que inegavelmente decaiu muito nos últimos tempos - mas da qualificação deles. Não raros eram os voos* em que os comissários deixavam passageiros espanhóis, franceses e italianos mais tranquilos*, avisando em sua língua nativa que estavam à disposição, se necessário fosse.

Já hoje em dia são raros os que falam inglês - dominando o idioma, deixemos isso claro. Alguns demonstram total falta de conhecimento ao ler as instruções, errando na pronunciação de maneira grotesca. Certamente, sequer sabem direito o que estão falando. No meio destas palavras, uma me intrigava. "Make sure you take all your belongings when you DISEMBARK the plane". What the hell...

Levei a questão à minha professora de inglês. Checamos dicionários, enciclopédias, e nada. Tudo me levava a crer que esta palavra simplesmente não existia! Embark não se usa, o certo é boarding, mas não conseguia lembrar como era desembarcar. Enfim, isso que fui fazer. Escrever para Gol e TAM comunicando sobre esse terrível erro e pedindo providências. Claro, porque eles não devem ter nada mais importante para resolver.

Mas tal foi minha decepção quando hoje, numa última tentativa, apareceu a tal palavra. Tá aqui. Disembark é tão pouco usado quanto embark - se é que é usado em algum lugar. Os textos devem ter sido traduzidos por esses dicionários online, engessados na sua própria programação. O corte de custos afeta até os menores detalhes.

Ela existe. Disembark. Perdi a chance de denunciar mais um furo de nossas maravilhosas companhias aéreas.

* - não reparem a falta do ^ e da ", estou seguindo as novas regras do idioma português)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Apertem os cintos

"Atenção, tripulação. Preparar para partida". Esta é a deixa. Se a aeronave não possui monitores sob os compartimentos de bagagem, cabe a dois pobres seres a tarefa de explicar aos passageiros do avião os procedimentos de segurança. Raros são aqueles que prestam atenção. Diria até que essas pessoas não existem. Elas preferem passar estes 2 minutos atualizando-se com o jornal, vendo o movimento do pátio do aeroporto ou, enfim, fazendo QUALQUER OUTRA COISA. Chega a ser constrangedor ficar olhando os comissários apontando para as saídas na dianteira, sobre as asas e no fundo da aeronave, com um olhar tão desinteressado quanto aquelas pessoas para quem eles se dirigem.

Também, pudera. Seria hipócrita se gastasse linhas e linhas criticando esse desprezo dos passageiros pela "sua própria segurança". Cruzei os céus deste país centenas de vezes, freqüência que foi intensificada após minha nova função na empresa onde trabalho, e poderia ser capaz de informar as instruções mesmo ser ler o texto que as companhias aéreas são obrigadas a repassar. Mas mesmo para um iniciante, fica difícil acreditar que qualquer daquelas instruções seriam realmente úteis no caso de uma emergência.

A demonstração dos procedimentos de segurança passou a ser realizada após um desastre num avião da Air Canada em 1983, quando um incêndio atingiu o banheiro de uma aeronave em pleno vôo. O interior do avião ficou tomado pela fumaça e, quando o avião conseguiu pousar, era difícil visualizar as saídas de emergência. Muitas pessoas não as encontraram antes do avião explodir, matando 23 pessoas (isso eu vi no Desastres Aéreos, do Discovery. Muito bom programa).

Pelo jeito, o texto escrito não mudou desde então. Os comissários referem-se sempre como pouso qualquer situação em que a aeronave vem de encontro ao solo, não importa que tipo de solo. Para mim, pouso é quando o avião desce normalmente na pista. No máximo, quando tem problemas no trem de pouso mas está indo para um aeroporto, aceito chamar como pouso de emergência. Mas pouso na terra não existe. Pouso na água não existe. Para mim, isso é queda.

Isso já foi mostrado em Clube da Luta, mas não poderia deixar de citar as cartas de instruções. Os aviões inteiros na terra e na água, as pessoas saindo tranqüilamente abraçadas em seus assentos flutuantes ou bóias salva-vidas. ISSO NÃO EXISTE! Em outro Desastres Aéreos, o programa informava que pousos na água racham o avião ao meio, pois as turbinas embaixo das asas criam uma resistência que impede que o avião "deslize" pelo espelho d'água. Os Fokker talvez teriam alguma chance de terminar o pouso inteiros. Pouso...

"Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão". Meu amigo, se isso acontecer, reze. Reze muito. É o sinal de que deu merda! Mas não se preocupe, pois a angústia não irá durar muito tempo, principalmente porque você vai ter oxigênio por aproximadamente 15 minutos. Isso ninguém te diz nas instruções.

Pela falta de interesse embaraçante dos passageiros. Pela vergonha na cara dos comissários. Pela transparência nas informações de segurança. Eu digo: chega dessa papagaiada no início de cada vôo. Joguem cartões de instruções de segurança sérios nos passageiros e era isso. Se der merda, salve-se quem puder.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Caminhos tortuosos

Hoje retornei da mui simpática praia da Pinheira, onde passei o Natal na companhia dos familiares, e vim aqui diretamente para responder a pergunta que muitos me fizeram: como está a estrada até Floripa?

Bem, tecnicamente não fui até Floripa. A Pinheira fica no munícipio de Palhoça, exatamente onde a parte já duplicada da BR-101 começa, mas o trevo da Pinheira e Guarda fica uns 30km distantes desse ponto. Enfim...

O lote 1 das obras, que começa em Osório, está magnífico. Desde a saída da free-way, o agora inaugurado viaduto de Osório liga ambas as rodovias em pista dupla até o ponto onde a trajetória da estrada mudará, na boca do túnel que cortará cerca de 18km da BR. Asfalto liso, sinalização bastante satisfatória. Dali, segue-se onde a BR não passará e, obviamente, não há desvios ou obras. Elas são retomadas após a saída do túnel, próximo de Maquiné. A verdade é que não há muitos sinais de construções, apenas alguns viadutos inacabados e esqueletos de pontes. Logo, não podemos afirmar que as obras estão contribuindo de forma alguma para complicações na viagem.

O primeiro trecho catarinense está razoável. Alguns desvios complicam o fluxo, mas são compensados por alguns quilômetros de pista dupla. De qualquer forma, a sinalização é um pouco insatisfatória. Passando de Araranguá, há menos desvios e mais velocidade. Considerei este o melhor trecho do lado de lá do Mampituba. Dá para ganhar alguns preciosos minutos de gordurinha, mas não se emocione: você perderá todos quando estiver se aproximando de Laguna.

Nesta parte, é possível verificar que vários trechos já estão praticamente concluídos. No entanto, a estrada original está em situações precárias. Toda rachada, esburacada e cheia de remendos. É incrível quando você se dá conta que aquela não é uma estradinha secundária, é simplesmente a principal ligação entre o extremo sul e o restante do país. Atenção total nesse ponto. Chegando na ponte e após ela, é impossível ver qualquer vestígio de melhorias na estrada.

Passando de Laguna, o drama é a grande quantidade de desvios que o motorista é obrigado a tomar, devido a construção de viadutos nos trevo de cada prainha. CADA PRAINHA MESMO. Ainda assim, não é nada demais. Aquele tempo que perderíamos andando ao redor daqueles canteirinhos com o nome da cidade toscamente construído no meio é o mesmo que perdemos tomando estes desvios. Ao menos aqui alguns trechos duplicados já estão liberados ao tráfego.

Francamente, esperava encontrar cenário pior quando fui para lá. A bem da verdade, a estrada não está diferente do que era antes. Continua um grande lixo, mas com uma placas laranjas para deixar o vivente mais atento na direção.