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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Regras para convivência na academia

Há longínquos 9 meses atrás, mais ou menos na mesma época que iniciava esse blog, passei a me dedicar a outra vontade pessoal que possuía. A idade chegando [vovô], o metabolismo não é mais o mesmo e a vida sedentária começava a apresentar seus sinais. Diante disso, resolvi dedicar uma mísera horinha do meu dia à academia.

Essa foi minha quinta tentativa e, desde já, a mais bem-sucedida. As melhoras foram sentidas não apenas não campo EMBELEZÍSTICO, mas principalmente na saúde, na disposição e no estado de espírito. Passei um inverno sem resfriado e deixar de ajudar a defesa nos jogos de domingo deixou de ser uma questão de falta de pernas. Agora é preguiça pura, mesmo.

Nunca havia passado de três meses de atividades nas tentativas anteriores, sempre resultado de professores desinteressados, invernos rigorosos ou – a mais séria das causas – a falta de noção dos demais “atletas”. Mas enfim, finalmente encontrei um estabelecimento que reúne as condições mínimas e satisfatórias para a realização das atividades físicas do dia-a-dia.

Vejam bem: MÍNIMAS e SATISFATÓRIAS, porque os sem-noção estão por todo lado.

Tiazona que recém entrou na academia: em dois dias os exercícios ainda não fizeram resultado. Por favor, cubra seu abdômen e pare de se comparar com as menininhas.

Senhor marombadão: soltar gemidos e grunhidos só chamarão a atenção de maneira NEGATIVA. Sim, ao contrário do você pensa. Também, favor ler com atenção os avisos de cuidado ao soltar os pesos no chão e nas máquinas. Ou peça para alguém explicar, caso a compreensão esteja muito complicada.

Magrinho que começou ontem: de novo, os resultados não aparecem assim, da noite pro dia. Pare de se espremer em frente ao espelho com aquela cara de “uh, gostosão”. É PATÉTICO.

Menininha gostosinha da academia: pare de MIAR.

Professores e demais freqüentadores: favor dedicar máxima atenção ao propósito da coisa toda: os exercícios. No mundo existem mais coisas além de futebol e das guriazinhas que por lá passam. E, o mais importante, por mais que vocês digam o contrário, caso a gostosa da academia seja encontrada solita na noite, NINGUÉM VAI FAZER NADA.

Ok? Ok.

[Atentem: Segundo post enviado direto do escritório, onde, por sinal, nesse momento uma pessoa passa seu tempo com aqueles joguinhos de guerra em primeira pessoa. THE BUCKET IS GONE]

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Tempos modernos

Já passavam das 20 horas e eu me alongava despreocupadamente na academia. Tudo estava absolutamente normal. O instrutor fazia vista grossa para minha preguiça enquanto conversávamos sobre TODAS POSSÍVEIS possibilidades de resultados do Campeonato Brasileiro no final de semana. Na sala ao lado, algumas pessoas pedalavam embaladas por ritmos dançantes estilos anos 90 - jamais entenderei.

A normalidade foi quebrada quase quando eu partia no momento em que uma criança surge no pequeno espaço sem equipamentos, destinado exatamente para o mais matado dos exercícios. Um cotoco, ele agitava na academia mexendo em praticamente todos os equipamentos, cordas e roldanas, sem qualquer tipo de supervisão. Ele é conhecido já dos pseudo-atletas. Seus pais comparecem ao clube com freqüência e obrigam o pobre piá, que pela voz fina e maneira de se expressar, tem cerca de quatro anos, calculo eu.

Não vou nem me ater ao fato de uma criança ser obrigada a passar quase todas as noites entre uma e duas horas pulando entre cross-overs, supinos e hammer-strengths (não me perguntem ao certo que diabos são essas coisas). Aliás, provavelmente se não estivesse ali, estaria exercitando apenas seus dedos em frente a um computador. Mas a conversa não é essa.

Voltando - estava quase saindo quando as teoricas metafísicas do Grêmio no Brasileirão foram interrompidas por aquela voz fina. "O que eu tenho na mão", perguntou ele escondendo as mãos atrás do corpo. O instrutor, de bate-pronto: "um celular". Correto ele estava. Para quê diabos uma criança de QUATRO ANOS tem um telefone celular?

Não me digam que é para emergências. Nessa idade, sempre há alguém mais velho acompanhando-o. Não vai sozinho em shopping, em praça, nem do portão do colégio sozinho ele passa. Não pensem que era um celular qualquer, também. Um Samsung tinindo de novo, visor colorido, de flip, uma beleza. Seguia o piá, pulando pra lá e pra cá, com aquela coisa brilhosa na mão.

E eu, com quatros anos, nem minigame do Tetris tinha.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Deu branco

A publicidade surgiu com o objetivo de ser o canal de informação entre uma empresa e seu mercado, geralmente tentando convencer seus consumidores a comprar seus produtos. Agora, em 2008, estamos mergulhados em um mundo conectado com acesso quase que irrestrito a qualquer tipo de informação sobre qualquer tema. Canais de TV a cabo, antenas parabólicas, telefones celulares, internet. Existem ZILHÕES de maneiras de se informar e ser informado sobre absolutamente TUDO, esteja aonde estiver.

As mentes que criam essas comunicações adaptam-se ao mercado, às suas características. A criatividade aparece para nos surpreender e ajudar a fixar uma marca ou despertar o desejo de consumir. As opções de mídia existentes hoje abrem o leque de possibilidades onde estas mentes podem trabalhar e deixar suas idéias fluírem.

Agora, POR QUE DIABOS ANÚNCIOS DE PASTA DE DENTE E SABÃO EM PÓ SÃO SEMPRE IGUAIS??? Será que não existe uma cabeça criativa a fim de desenvolver melhor essa idéia de LIMPAR e DEIXAR TUDO MAIS BRANCO??? Não posso entender. OK, dirão coisas do tipo "mas é esse o objetivo desses produtos". Correto. Assim como os anúncios de TEEM eram para "matar sua pior sede" e, mesmo assim, coisas como o cidadão de casaco de pele comendo batata frita na praia marcaram a minha pré-adolescência.

Não me venham mais com essa conversa de "MEU DENTISTA RECOMENDA" ou "ESTÁ CLINICAMENTE COMPROVADO". Ah, o teu dentista recomenda? E eu com isso? Nem conheço ele! Aliás, não sei nem se ele existe. E outra coisa: clinicamente comprovado POR QUEM???

Tão abominável quanto esse tipo de abordagem são esses anúncios de equipes com caixas de sabão em pó INVADINDO casas com seus produtos e ENCANTANDO as senhoras que por lá estão. Ou então lençóis sujos de lama, molho de tomate, Coca-Cola, sangue, lodo, graxa, lava vulcânica e sei-lá-mais-o-quê saindo numa BRANCURA SÓ das lavadoras. Há uns 214 anos, Omo garante que tira todas as manchas e, ainda assim, lançam novos produtos que tiram AINDA MAIS manchas!!! É possível isso??? O mesmo acontece com a Colgate e seus similares.

Alguém ainda acredita nisso??? Eu não. Cansei de ter meus mui divertidos programas de televisão interrompidos por donas de casas falsas e uns babacas todos sorridentes.

Vão criar outras coisas...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Perdido na noite

Último sábado a noite freqüentei a Cidade Baixa, mais especificamente a região da Rua João Alfredo.

Prédios a um assopro de desmoronar, calçadas - quando existem - similares à superfície da Lua, odor onipresente de urina, quatrocentos-e-vinte-e-doze flanelinhas enlouquecidos, duzentas-e-quarenta-e-dez pessoas pedindo esmolas e recolhendo absolutamente TUDO que há no chão.

Se passasse alguém cantando "Tricolooor, tricolooor, tricolor, tricolor, tricoloooor!" eu poderia jurar que estava indo para algum jogo no Olímpico.

E eu ainda havia colocado meu melhor perfume para ir até lá.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Na zona de desconforto

Estava eu no meio de um curso de negociação esta semana, em um grupo de 5 pessoas discutindo práticas e técnicas para obtenção de melhores resultados. Durante a conversa, uma das colegas diz: "Eu sofri muito nessa vida, tive que batalhar bastante". Logo imagino que ela passava os dias e as noites entre o trabalho e os estudos, matando horas de sono para tentar ajustar seu orçamento à apertada receita que deveria possuir. Ledo engano, pois em seguida ela completa: "Meu pai pagava minha faculdade e eu tinha que pagar a gasolina do carro".

Nada contra a moça. Meu pai não pagou a faculdade porque estudei em universidade pública gratuita e de qualidade, mas sei que mesmo que tivesse que freqüentar aulas em uma particular, ele auxiliaria. Gasolina sim, ele auxiliou bastante nessa vida. A diferença é que, ao contrário dela, não me coloco na posição de coitadinho, como se a vida tivesse sido muito dura comigo. Não, não foi.

Algumas pessoas acham que, transmitindo essa idéia, conquistarão a simpatia das outras pessoas. Com isso, talvez consigam uma oportunidade mais vantajosa, já que trarão consigo uma imagem de pessoa batalhadora, que superou dificuldades. Quem sabe, lado a lado com uma pessoa devidamente experiente e qualificada, o fator superação poderá fazer a diferença a seu favor. Contudo, essas pessoas mal sabem o que são verdadeiramente dificuldades.

Tampouco ousarei dizer aqui o que são dificuldades. Eu não sei. Não as enfrentei como outras pessoas enfretaram, graças a minha família, que é equilibrada e apoiadora. Sorte tenho eu.
Conheço estórias de outras pessoas - algumas próximas, outras nem tanto - que saíram de ambientes extremamente negativos, acomodantes, enfretaram preconceitos, dificuldades financeiras, mas estão batalhando por aí buscando melhorar sua qualidade de vida.

Exemplo disso é o Laécio. Conheci ele lá no interior da Bahia, em Caraíbas, onde o meu amigo Gustavo passa por um período de experiência como dentista na cidade. Lá, trabalhava como faz-tudo na pousada onde Gustavo mora. Visitei-os em Agosto do ano passado. A cidade possui 6 mil habitantes absolutamente acomodados. Recebem todo tipo de auxílio (financeiro, alimentação, transporte, etc) do Município e são felizes com a vida pacata que tem por lá. Poucos sequer conhecem Vitória da Conquista, principal cidade da região que fica distante apenas 80km.

Pois este baiano se interessava pelo mundo que rodava lá fora. Estava informado das notícias do mundo, graças aos noticiários que assitia e também às leituras de Veja, que pegava de rebarba do Gustavo. Conhecia bem a política local e não se deixava enganar pelos benefícios concedidos pelo governo. Sabia que havia vida fora dali. Não tinha medo disso.

Desde Dezembro ele está em Porto Alegre. Ajudado pelo pai do Gustavo, que conseguiu o emprego, está trabalhando para uma empresa de um conhecido dele. Ganha 600 reais por mês, quatro vezes mais do que recebia em Caraíbas. Sua escolaridade é baixa, mas sua vontade é muito alta. Está vivendo praticamente em outro planeta, praticamente sozinho, arriscando praticamente tudo. Mas está aí - e não reclama disso.

Então, senhorita, nunca mais venha me falar em dificuldades. Tu não sabe nada. Procura o Laécio que ele te dá uma lição em experiência de vida.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Apertem os cintos - III

São 21h40. O Boeing 737-800 da Gol que me levou de Campo Grande à Guarulhos pousa no aeroporto. Os comissários dão a tradicional boas-vindas, as instruções finais e as despedidas. Depois, em inglês: "We look forward to having you back in one of our next generation aircrafts". E tu ali, espremido por aquelas poltronas apertadas.

Daí tu olha pro lado e vê dois Boeings gigantecos da Lufthansa e da American Airlines, mais um jumbo da British. Continua olhando e vê uma fila daqueles Boeingzinhos next generation da Gol. Parecem uns mosquitinhos perto das naves ao seu lado.

Dose...

PS: OK, último post sobre aviões e aeroportos, juro.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Por 5 segundos a menos

20h28. Saio da minha aula de inglês na Nilo Peçanha e me dirijo ao meu carro, estacionado junto à calçada de tal avenida. Dali, ando mais 20 metros, tomo a direita na Teixeira Mendes e sigo no caminho de casa.

O carro, estacionado em frente a uma loja de decoração, tem apenas um veículo a sua frente. Dou a partida, engato a ré e retrocedo poucos metros, o suficiente para manobrá-lo e recolocá-lo no fluxo de veículos que descem a Nilo. Ligo o pisca-pisca para a esquerda. Começa a batalha.

Carros, ônibus e motos vão passando. Não há tempo nem espaço para conseguir entrar na avenida. Os veículos vão passando. E passando. E passando.

Completa-se o primeiro minuto de espera. Eu, ali, sinalizando que quero entrar na brincadeira. Ninguém deixa. Ensaio uma saída brusca - luzes de ônibus e buzinas de motoqueiros são a resposta.

Dois minutos e nenhum sucesso. Mal sabiam os motoristas que não me davam passagem que eu ficaria na avenida por um período tão curto que mal teriam tempo de ler a placa do meu carro.

Começo a contar os carros que passam: 1, 2, 3... 20, 21! Sim, o 22° parou. Um Palio. Seu condutor sinaliza e, finalmente, tenho a chance de sair. Muito obrigado!

Calculo que pelo menos 60 motoristas ignoraram meu apelo. Gentileza? Educação? Para quê? Azar o meu.

O que ganharam? 5 segundos a mais para pensar na vida, parados na próxima sinaleira.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O que pode ser pior?

Há HORAS que quero escrever sobre isso. A televisão - especialmente os canais fechados - estão sendo invadidos por três peças publicitárias ABOMINÁVEIS e ENLOUQUECEDORAS. Os seus criadores deveriam ser presos e punidos com exclusão e trancafiamento em uma sala fechada, apenas com um televisor exibindo de forma intermitente as suas criações durante meses, talvez anos, para que eles pudessem PENSAR BEM no mal que eles fizeram. São elas, na minha ordem particular de cretinice:

(3) Someone is there, waiting for my song... A trilha sonora é de botar criança pra dormir. Daí, me aparece aquele panaca fazendo biquinho e a outra lambisgóia fingindo ser uma garota ingênua. Depois de "entregar o produto" (se eu fosse a garota, pediria meu um real de volta), eles ainda trocam um olhar maroto. PATÉTICO.

(2) Sense and simplicity... Ivete Sangalo em português já é dose pra mamute. Cantando em inglês então, fica insuportável. Vestida com roupas de couro e fazendo aquelas performances ridículas é além da imaginável. E depois ainda incluem um "negão anos 90" - lembram das músicas de Haddaway e Corona onde sempre tinha um cara que entrava simplesmente falando um monte de coisas no meio das músicas e não dava pra entender nada? - pois é. BIZARRO.

(1) Manhê, quero fazer cocô... Quem foi o idiota que criou isso? E quem foi o retardado que aprovou a idéia? Este anúncio é tão repugnante que eu bloqueio meu cérebro a ponto de fazer questão de não saber qual a marca que está sendo anunciada. No final, a peça termina com chave de ouro: mãe e filho abraçados dentro do banheiro, num típico momento Kodak. DEMAAAIS...